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A Prefeitura de Campos dos Goytacazes anunciou que, nos últimos três meses, foram realizados mais de 670 mil agendamentos de consultas e exames na rede pública municipal. O número foi apresentado como um avanço nos serviços de saúde, evidenciando o esforço do governo em ampliar o acesso ao atendimento.
Entretanto, a realidade relatada por muitos moradores mostra que, apesar dos números expressivos, a fila para conseguir uma consulta especializada ou exame de média complexidade continua sendo um dos maiores desafios do sistema de saúde em Campos.

📊 Números oficiais x realidade nas unidades
Os dados divulgados pela administração municipal destacam o volume de agendamentos realizados por meio das unidades básicas de saúde e do sistema eletrônico de marcação.
Na prática, porém, moradores de diferentes bairros — especialmente das regiões mais afastadas, como Guarus e Baixada Campista — relatam que a espera por exames simples pode ultrapassar meses, mesmo após o agendamento.
Há relatos de pacientes que aguardam desde o início do ano por ultrassonografias, ressonâncias, consultas oftalmológicas e exames laboratoriais, sem retorno sobre prazos concretos.
Em alguns postos, os servidores confirmam que o sistema de agendamento “entra em manutenção” com frequência, o que interrompe o atendimento e faz com que muitos pacientes precisem voltar diversas vezes até conseguir marcar o procedimento.

💬 População cobra transparência e agilidade
Nas redes sociais e nas rádios locais, o tema tem gerado repercussão e críticas.
Moradores pedem mais transparência nos números e questionam se os 670 mil agendamentos realmente correspondem a exames realizados ou apenas marcados no sistema.
“Agendar é o primeiro passo, mas o que a gente precisa é realizar o exame. Muitos têm o protocolo, mas não têm data para fazer”, desabafa uma moradora do Parque Guarus.
Outros usuários também relatam dificuldades com o aplicativo de marcação e afirmam que, muitas vezes, são obrigados a se deslocar de madrugada para tentar atendimento presencial nas unidades.
🏥 Profissionais da saúde também sentem o impacto
Servidores da rede municipal confirmam que há sobrecarga nas unidades e déficit de pessoal técnico, o que dificulta o andamento dos agendamentos.
O aumento da demanda, aliado à limitação de equipamentos disponíveis e à falta de integração entre setores, torna o processo de marcação lento e burocrático.
Profissionais defendem que é preciso investir mais em estrutura, informatização e logística, especialmente em exames de imagem, para que os resultados cheguem com mais rapidez.

⚖️ Discurso oficial e questionamentos
A prefeitura argumenta que o aumento nos agendamentos demonstra avanço na organização da rede de saúde e melhoria nos fluxos internos.
No entanto, críticos apontam que os números por si só não garantem eficiência, já que o desafio está na concretização dos atendimentos e não apenas no registro digital das solicitações.
Especialistas em gestão pública lembram que a transparência é fundamental para que a população saiba quantos exames realmente foram realizados, quantos estão na fila e qual o tempo médio de espera.
🚨 Um problema estrutural
O gargalo no agendamento de exames em Campos não é recente. Há anos, o município enfrenta demora crônica no atendimento especializado, consequência de falhas de gestão, limitações contratuais e sobrecarga do sistema SUS local.
Apesar de melhorias pontuais e mutirões ocasionais, o problema persiste e afeta diretamente o diagnóstico precoce de doenças.
Sem exames em tempo hábil, pacientes acabam recorrendo à rede privada — o que agrava ainda mais a desigualdade de acesso à saúde.
🗣️ Voz da rua: “Queremos resultados, não estatísticas”
A percepção geral entre os campistas é de cansaço e descrença com as promessas repetidas de melhorias na saúde.
Embora a ampliação de agendamentos seja positiva, a população quer resultados concretos: consultas efetivas, exames realizados e laudos entregues dentro do prazo.
O tema deve continuar no centro do debate político local, especialmente diante da aproximação do calendário eleitoral e das críticas à atual gestão sobre a qualidade dos serviços públicos.

