📈 Inflação no Brasil volta a subir em setembro e preocupa mercado financeiro

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A inflação brasileira registrou alta em setembro de 2025, após um mês de queda em agosto, indicando que a trajetória de desaceleração dos preços pode estar perdendo força. Segundo dados divulgados nesta quinta-feira (9), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,48% no mês, revertendo a deflação de -0,11% registrada em agosto.

Mesmo com o aumento geral, os preços dos alimentos continuaram em queda, o que ajudou a conter um avanço maior no índice. Ainda assim, o resultado acendeu o alerta no mercado e entre os economistas sobre o controle da inflação no país.


📊 Inflação anual ultrapassa 5% e segue acima da meta

No acumulado de 12 meses, o IPCA atingiu 5,17%, acima da meta central de 3% definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), mas ainda dentro do limite de tolerância, que vai até 4,5% para 2025.
O resultado coloca pressão sobre o Banco Central, que vinha sinalizando a possibilidade de manter a taxa Selic estável por mais tempo.

Economistas avaliam que a combinação de fatores internos e externos — como o aumento nos preços dos combustíveis e instabilidades no câmbio — contribuiu para o avanço da inflação.

“O movimento indica uma recomposição de preços administrados e repasses de custos em setores como energia elétrica e transportes”, explicou um analista da consultoria LCA.


🍞 Alimentos caem pelo quarto mês seguido

Apesar da alta geral, o grupo de alimentos e bebidas apresentou queda de -0,26%, o quarto recuo consecutivo.
Entre os itens que mais contribuíram para o alívio estão:

  • Tomate (-9,4%)
  • Leite longa vida (-3,7%)
  • Arroz (-2,1%)

A melhora na oferta agrícola e o recuo de custos no transporte contribuíram para o resultado. O setor de vestuário também registrou leve queda (-0,18%), influenciado pelo fim da temporada de inverno.


⛽ Energia e combustíveis impulsionam a alta

Os maiores vilões da inflação em setembro foram os combustíveis e a energia elétrica residencial.
A gasolina subiu 2,9% após o reajuste nas refinarias, enquanto a energia elétrica teve alta de 4,2%, refletindo o aumento de bandeiras tarifárias em várias regiões do país.

Outros grupos que pressionaram o índice:

  • Transportes (+1,12%)
  • Habitação (+0,86%)
  • Saúde e cuidados pessoais (+0,41%)

💬 Governo mantém discurso de cautela

O Ministério da Fazenda afirmou, em nota, que o resultado de setembro estava dentro das expectativas e que o governo segue comprometido com o equilíbrio fiscal e o controle da inflação.
Segundo o ministro Fernando Haddad, a tendência é que o índice volte a ceder nos próximos meses, acompanhando a redução dos custos de produção e o recuo de commodities no mercado internacional.

“Estamos atentos e trabalhando para manter a inflação dentro da meta, sem comprometer o crescimento econômico”, disse Haddad.


🏦 Expectativas para os próximos meses

O mercado financeiro já projeta que a inflação encerre 2025 próxima de 4,9%, com a taxa Selic mantida em 10,25% ao ano até o fim do período.
A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) na próxima reunião deve levar em conta os novos dados e o comportamento dos preços de serviços, que seguem resistentes à queda.

Para os analistas, o principal desafio agora é equilibrar o combate à inflação com a necessidade de estimular o crescimento econômico, que segue moderado.

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