Campos realiza censo de carroceiros para regulamentar circulação de veículos de tração animal

Getting your Trinity Audio player ready...

Cadastro obrigatório vai até 29 de agosto e busca garantir direitos dos trabalhadores e a proteção dos animais

A Prefeitura de Campos dos Goytacazes iniciou, neste mês, um censo obrigatório dos carroceiros, trabalhadores que utilizam veículos de tração animal (VTA) para transporte de cargas. O prazo para realizar o cadastro vai até o dia 29 de agosto, e a medida atende a uma solicitação do Ministério Público, que acompanha de perto a situação da categoria.


Onde e como se cadastrar

O atendimento acontece de segunda a sexta-feira, das 9h às 16h, na Rua Sílvio Fontoura, nº 81, Parque João Maria – ao lado da UBS Pet.
Para realizar o cadastro, os carroceiros devem apresentar:

  • Documento de identidade;
  • CPF;
  • Comprovante de residência atualizado.

Segundo a prefeitura, o censo é fundamental para a regulamentação da circulação dos VTAs na cidade, além de servir como base para políticas públicas que possam apoiar a categoria.


Objetivos do censo

A iniciativa busca atender três frentes principais:

  1. Organização do trânsito urbano – mapeando e limitando a circulação de carroças em áreas de grande fluxo;
  2. Apoio aos trabalhadores – oferecendo cursos de capacitação e a possibilidade de inclusão em programas de assistência social;
  3. Proteção animal – assegurando cuidados como vacinação, exames clínicos e acompanhamento veterinário dos cavalos utilizados.

De acordo com representantes do município, a ideia é equilibrar a importância histórica e econômica da atividade com as exigências de segurança, mobilidade urbana e bem-estar animal.


Repercussão entre os carroceiros

O anúncio do censo dividiu opiniões. Parte da categoria vê a ação como uma forma de garantir reconhecimento e direitos trabalhistas, enquanto outros manifestam receio de que o cadastro seja o primeiro passo para a proibição gradual da atividade.

“É importante que a gente seja ouvido. Muitos de nós dependemos disso para sustentar nossas famílias. Se houver apoio, cursos e até alternativas de trabalho, pode ser positivo. Mas não queremos ficar sem renda”, afirmou João Batista, carroceiro há mais de 20 anos no bairro Turf Club.


Histórico da questão em Campos

A discussão sobre o uso de veículos de tração animal não é nova. Nos últimos anos, projetos de lei e portarias tentaram restringir a circulação de carroças em áreas centrais, alegando riscos de acidentes e maus-tratos aos animais.

O Ministério Público já havia solicitado medidas mais rígidas de controle, após denúncias de sobrecarga e más condições de saúde dos cavalos. O censo surge como resposta institucional a essas pressões, abrindo caminho para uma regulamentação mais clara e transparente.


O que pode mudar após o censo

Após o encerramento do cadastro, a prefeitura deve apresentar um relatório com o número total de carroceiros ativos na cidade, além de anunciar medidas complementares, como:

  • Definição de rotas específicas para circulação de carroças;
  • Programas de apoio social e profissionalização da categoria;
  • Fiscalização intensificada contra maus-tratos;
  • Parcerias para vacinação e microchipagem dos animais.

Especialistas avaliam que o desafio será conciliar tradição e modernidade, garantindo dignidade aos trabalhadores e proteção aos animais, sem abrir mão da fluidez no trânsito urbano.


Conclusão

O censo dos carroceiros em Campos dos Goytacazes representa mais do que uma simples ação burocrática: é um passo importante para regulamentar uma atividade antiga e, ao mesmo tempo, polêmica.

Enquanto a prefeitura promete diálogo e proteção social, os carroceiros aguardam para ver se as medidas trarão benefícios concretos ou novas restrições. Até lá, o prazo do dia 29 de agosto se torna decisivo para o futuro da categoria na cidade.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *