Fepe ameaçada em Campos: além do impasse político, Praça São Salvador sofre danos em patrimônio histórico

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A realização da Feira de Preços Especiais de Campos (Fepe), tradicional evento do comércio local, corre sério risco de não acontecer neste ano. Além do impasse entre a Prefeitura de Campos dos Goytacazes e a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), o que mais chama atenção é a polêmica em torno dos danos causados à Praça São Salvador, espaço histórico e cartão-postal da cidade.

Praça São Salvador: patrimônio em risco

Construída como um dos principais pontos de encontro da população campista, a Praça São Salvador tem não apenas valor estético, mas também importância cultural e histórica para a cidade. É nesse espaço que se localiza a imponente Igreja Matriz, além de monumentos e pisos que contam parte da memória urbana de Campos.

Nos últimos dias, fotos e registros revelaram que a montagem da estrutura da Fepe provocou rachaduras, buracos e deterioração em várias partes da praça. Esse cenário gerou revolta entre moradores e defensores do patrimônio histórico, que consideram inadmissível que um espaço com tanto simbolismo seja comprometido em nome de um evento comercial.

Impasse entre Prefeitura e CDL

A situação se agravou quando a Procuradoria Municipal determinou que toda a estrutura montada fosse retirada e substituída por uma nova. O governo municipal teria entendido que apenas reparos não seriam suficientes, e que seria necessário preservar a praça de danos ainda maiores.

Já a CDL, responsável pela organização, defende que assumiria os custos de recuperação, mas considera inviável desmontar e remontar a estrutura a menos de uma semana do evento. Para os lojistas, isso significaria atrasos, perda de investimentos e até cancelamento da feira.

Economia x patrimônio

De um lado, lojistas e trabalhadores aguardam a Fepe como oportunidade de aquecer o comércio, atrair milhares de consumidores e movimentar a economia da cidade. De outro, cresce a preocupação com a preservação do patrimônio histórico, já que a Praça São Salvador não pode ser tratada apenas como espaço funcional, mas como um símbolo da identidade cultural campista.

Especialistas em urbanismo e história local destacam que danificar a praça é um prejuízo que vai além do financeiro, pois impacta a memória coletiva da população e compromete o cuidado com bens que pertencem a toda a sociedade.

E agora?

O futuro da Fepe segue incerto. Enquanto CDL e Prefeitura não chegam a um consenso, comerciantes, consumidores e cidadãos campistas assistem a mais um capítulo de descaso e disputa política que coloca em xeque tanto a economia local quanto a proteção do patrimônio histórico.

A grande questão que fica é: vale a pena sacrificar a Praça São Salvador para garantir a realização da Fepe, ou é hora de repensar formatos e locais para preservar a história da cidade?

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