Mulher é atropelada após recusar cantada em Campos: caso expõe violência e insegurança urbana

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Uma noite que deveria terminar em paz se transformou em um pesadelo para a assistente administrativa Patrícia Santos, de 32 anos, moradora do Parque Leopoldina, em Campos dos Goytacazes. Na última quarta-feira (20), ela foi atropelada de forma proposital na Ponte Leonel Brizola, após recusar uma cantada de um homem que a seguia.

O caso, que ganhou repercussão estadual, expõe não apenas a vulnerabilidade das mulheres no espaço público, mas também a crescente sensação de insegurança em Campos.


O que aconteceu

De acordo com o registro policial, Patrícia voltava para casa por volta das 21h30 quando foi abordada pelo motorista de um carro preto que tentou iniciar uma conversa em tom de paquera. Após recusar, ela acelerou o passo, mas o homem continuou a persegui-la. Poucos metros depois, ele jogou o carro sobre ela.

A vítima sofreu 20 pontos no rosto, fratura em um dos dedos do pé e escoriações pelo corpo. Além disso, teve a bolsa furtada logo após o atropelamento, quando ainda estava caída no chão.

“Ele começou a me seguir, acelerou o carro e eu tentei correr. Só lembro da batida e acordei já no hospital. Achei que fosse morrer”, relatou Patrícia em entrevista à TV local.


O cenário da violência contra mulheres

Infelizmente, a história de Patrícia não é isolada. Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP-RJ) apontam que, apenas no primeiro semestre de 2025, Campos registrou mais de 300 casos de violência contra mulheres, incluindo ameaças, agressões físicas e assédio sexual.

A ponte Leonel Brizola, palco do crime, é um dos pontos mais movimentados da cidade, mas também alvo de críticas pela falta de iluminação adequada em determinados trechos, o que aumenta a sensação de insegurança para pedestres durante a noite.


Indignação e pedidos de justiça

O caso gerou grande comoção nas redes sociais. Diversos movimentos feministas e coletivos de mulheres em Campos publicaram notas de solidariedade e exigiram respostas rápidas da polícia.

“Não é apenas sobre uma cantada. É sobre violência, sobre desrespeito e sobre uma cultura que insiste em colocar mulheres em risco quando simplesmente querem voltar para casa”, destacou a advogada e ativista campista Luciana Rangel, integrante do coletivo Elas por Elas.

A Polícia Civil informou que já identificou o veículo envolvido e busca imagens de câmeras de segurança para localizar o suspeito.


Segurança em pauta: o que dizem as autoridades

A prefeitura de Campos declarou que irá revisar a iluminação da ponte e reforçar a ronda da Guarda Civil Municipal em horários de maior fluxo de pedestres.

“Estamos acompanhando o caso de perto. A violência contra mulheres é uma chaga social que precisa ser enfrentada com políticas públicas e também com a repressão dura aos criminosos”, afirmou o secretário de Segurança Pública, Rogério Vasconcelos.


Voz da comunidade

O sentimento de revolta é compartilhado por moradores. Muitos relatam que caminhar pela ponte, especialmente à noite, gera medo.

“A gente sai do trabalho e tem que atravessar essa ponte no escuro, com gente estranha mexendo. É um absurdo. Isso podia ter acontecido com qualquer uma de nós”, disse a estudante Camila Oliveira, 21 anos, que também passa pelo local diariamente.


O que esse caso revela

O episódio não é apenas um crime isolado, mas também um reflexo de problemas estruturais:

  • Machismo cultural que naturaliza o assédio.
  • Falta de segurança urbana, com iluminação precária e ausência de policiamento constante.
  • Dificuldade das vítimas em denunciar, por medo de represálias ou descrédito.

Especialistas defendem a necessidade de campanhas educativas permanentes, integração entre forças policiais e canais de denúncia mais acessíveis.


Próximos passos e esperança

Patrícia segue em recuperação no Hospital Ferreira Machado. A polícia trabalha para identificar e prender o agressor, que pode responder por tentativa de feminicídio, lesão corporal grave e furto.

Enquanto isso, movimentos sociais organizam um ato na próxima semana, em frente à Câmara Municipal de Campos, para cobrar mais ações contra a violência de gênero.

“A cidade precisa acordar. Não podemos aceitar que nossas ruas e pontes se transformem em armadilhas para mulheres. Queremos viver e circular com liberdade”, disse a professora Helena Barreto, uma das organizadoras do protesto.


Conclusão

O caso de Patrícia é um grito de alerta para Campos dos Goytacazes. A violência contra mulheres não é “caso isolado”, mas um problema estrutural que precisa ser enfrentado com firmeza, tanto pela justiça quanto pela sociedade.

👉 E você, se sente seguro caminhando pelas ruas de Campos à noite? O que pode ser feito para melhorar a segurança das mulheres na cidade? Comente abaixo e participe do debate.

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