O último domingo 21/09 em Copacabana, um dos cartões-postais mais conhecidos do Rio de Janeiro, voltou a ser palco de episódios de violência protagonizados por grupos de menores infratores. A situação foi duramente criticada pelo presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, que cobrou providências imediatas do governo estadual e da Prefeitura do Rio.
Em discurso na Alerj, Bacellar relatou que a cena se repete há mais de uma década no trecho entre a Praça do Lido e a Avenida Princesa Isabel, chegando até a altura do Shopping Rio Sul.
“Todo fim de semana é a mesma coisa. Ônibus sendo tomado, portas e janelas quebradas, estabelecimentos saqueados. É inadmissível olhar para trabalhadores sendo agredidos enquanto o Estado e a Prefeitura permanecem omissos”, declarou.
“Não dá mais para assistir passivamente”
Bacellar criticou a ausência de respostas por parte das autoridades, lembrando que até o momento não houve sequer uma nota oficial do comando da Polícia Militar ou do governo estadual sobre os incidentes mais recentes.
“Não admito mais ver que ainda tem gente que defende esse bando de vagabundo menor de idade. É inadmissível. O trabalhador paga imposto, abre seu comércio todo dia, e esses infratores fazem o que querem. O Estado precisa reagir”, afirmou o presidente da Alerj.
Crítica à atuação da Prefeitura
O parlamentar também questionou a postura da Prefeitura do Rio, apontando contradições na atuação da fiscalização.
“Eu vejo a tropa de choque da Prefeitura batendo em trabalhador que vende sua cervejinha ou seu camarão na areia, mas não vejo o mesmo empenho para garantir segurança contra os arrastões. Bastava reforçar o efetivo junto com a Guarda Municipal e a Polícia Militar. É algo simples, mas falta vontade”, disse.
PEC-RJ e endurecimento das medidas
Bacellar aproveitou para destacar a aprovação da PEC-RJ, elaborada por sua equipe, que busca endurecer medidas contra menores reincidentes em atos de violência. Para ele, a legislação atual não tem dado conta de coibir a criminalidade juvenil.
Ele citou inclusive relatos de vítimas de arrastões passados, como o caso de um idoso que morreu após ser derrubado por infratores em Copacabana.
Repercussão
A fala do presidente da Alerj repercutiu fortemente entre parlamentares e moradores da cidade. Para muitos, a cobrança direta ao governo do estado e à prefeitura revela uma crescente insatisfação com a omissão do poder público diante da escalada da violência em áreas turísticas.
“Está na hora de parar com palanques eleitorais e pensar no bem do Rio de Janeiro. Não interessa quem é candidato, interessa que o Estado melhore”, concluiu Bacellar.
Contexto
O problema da criminalidade envolvendo menores no Rio de Janeiro é antigo e complexo, misturando falhas de segurança pública, ausência de políticas sociais eficazes e discussões sobre os limites da legislação atual.
A manifestação de Bacellar, porém, sinaliza que o tema deve ganhar ainda mais espaço na agenda política, especialmente diante da pressão da sociedade para que medidas concretas sejam tomadas.