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No cenário político do estado do Rio de Janeiro, uma movimentação significativa está em curso: o Cláudio Castro (PL), atual governador, e o Rodrigo Bacellar (União Brasil), presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), aparentemente selaram uma trégua em suas relações e preparam o terreno para uma transição de poder. Essa movimentação pode significar que o estado tenha um novo governador já em abril — com, porém, um obstáculo importante: um processo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Paz entre aliados e nova leitura da sucessão
Segundo fontes próximas ao Palácio Guanabara e à Alerj, a crise entre Castro e Bacellar — que vinha de divergências e disputas de protagonismo — está em vias de pacificação. O entendimento visa a eleição de 2026, e coloca Bacellar em posição de destaque: seria ele o nome apoiado pelo grupo para assumir o governo estadual no ano que vem. Assim, o governador teria carta branca para buscar o Senado, enquanto Bacellar assumiria interinamente para em seguida disputar o Palácio Guanabara em 2026.

O cenário para abril: retirada de Castro e ascensão de Bacellar
Dentro desse planejamento, o governo já trabalha com a hipótese de que Castro se afaste do cargo em abril para concorrer ao Senado. Nessa eventualidade, Bacellar assumiria o Executivo estadual — o que lhe daria visibilidade de governo, poder de inauguração e agenda junto aos prefeitos e lideranças. Esse movimento fortalece sua pré-candidatura e cria um ambiente de vantagem política.
O perigo no caminho: processo no TSE
Mas nem tudo está definido. Há um risco latente: no TSE tramita ação que pede a cassação dos mandatos de Castro e Bacellar em razão de suposto abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022, associado a contratações da Cederj. Uma ministra já votou pela cassação, embora o julgamento tenha sido suspenso por pedido de vista de outro ministro. Se o TSE confirmar a cassação, o grupo precisará acionar imediatamente o plano B.

O nome de reserva: apontado para eleição suplementar
De acordo com o desenho, se os mandatos de Castro e Bacellar forem cassados, já haveria consenso dentro do grupo para apoiar o Douglas Ruas (PL), deputado estadual e secretário de Estado das Cidades, filho do prefeito de São Gonçalo, como candidato para a eleição suplementar de governador. Ele já teria ampla estrutura eleitoral e apoio interno para entrar na corrida.
Perspectivas e implicações
- Para Bacellar, assumir agora o governo (mesmo que por poucos meses) significa consolidar sua imagem como futuro governador, o que torna difícil para adversários desbancá-lo.
- Para Castro, a disputa ao Senado exige estabilidade: sair do governo transformado em candidato forte, com base garantida. A aliança com Bacellar dá essa segurança — mas o processo no TSE ameaça esse tabuleiro.
- Para o eleitorado, abre-se um momento de incerteza: há movimentações de bastidor para o poder que podem reduzir a visibilidade das políticas públicas em curso, concentrando atenção nas articulações eleitorais.
- Para o ambiente político estadual, o arranjo reforça a hegemonia da base governista, mas também estimula oposição e forças externas a se prepararem para entrar nesse novo ciclo.

